D. Pedro II,
O imperador que amava o Brasil
D. Pedro II foi
imperador do Brasil por quase 50 anos. Seu legado permanece apagado para a
maioria do povo brasileiro. Conhecer o reinado de Pedro II é fundamental para
se entender por que somos um país com dimensões continentais, unido com todas
as suas diversidades regionais. O que hoje nos parece natural foi conseguido
com o suor de muitos, a liderança e o exemplo de amor à pátria de um homem que
encarnou completamente a missão de construir o Brasil como um Estado nacional
independente.

D. Pedro foi deposto pelo golpe republicano de 1889 e teve de deixar o
país em 24 horas. Entregou com serenidade sua posição: “Pois, se tudo está perdido,
haja calma. Eu não tenho medo do infortúnio”. O imperador, simpático à ideia
republicana, enxergou o fim do regime monárquico e não desejou lutar por ele.
Partiu para o exílio sem um tostão, passando a viver na Europa com a ajuda de
amigos.

Com a força do poder moderador, Pedro sempre buscou engajar o Brasil num processo civilizatório com forte cunho humanitário, criando os alicerces de uma nação independente onde a conduta ética, a honestidade e a liberdade de expressão fossem os valores mais respeitados. Na base desse processo estavam ainda a promoção da educação e da cultura, o incentivo à modernização industrial e à inovação tecnológica, a estabilidade política e o respeito à cidadania.
Em 1914, seria de Rui Barbosa, o último dos republicanos que realizaram o golpe de 1889, que viria o mais famoso discurso em homenagem a Dom Pedro II: “A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime [na Monarquia], o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante [Dom Pedro II], de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade”.
Imperatriz teresa Cristina
Não é por acaso que a República
escorrega fragorosamente na hora de compor a nova bandeira do país. Embora
mantendo o verde e o amarelo do Império, os republicanos incluíram nela o
círculo azul estrelado com o lema positivista, “Amor por principio e Ordem por
base, Progresso por fim”, suprimindo a palavra AMOR! Ora, por que o amor à
pátria tinha que ser retirado da bandeira republicana? Que vergonha! A nascente
república, que acabara de expulsar do país o imperador, não consegue assumir
que seu projeto político era para o bem do país. Deixamos de ser o “Império do
Brazil” e passamos a ser os “Estados Unidos do Brasil”. Faltou amor e o medo
foi que mandou.
Quem assistiu ao filme ‘Lincoln’ viu
o presidente norte-americano retratado como símbolo de uma nação que lutou e
venceu sua divisão e a escravidão. Lincoln está merecidamente no pedestal dos
heróis americanos; ele faz parte da identidade dos EUA. D.Pedro II,
contemporâneo dele, foi propositalmente esquecido e mesmo seu corpo só
foi autorizado a regressar ao solo natal em 1921, 30 anos depois de sua morte
em Paris. Ficamos com a lacuna do esquecimento de Pedro II e suas consequências
danosas para a autoestima do povo.

Hoje, o desafio do Brasil é caminhar
para o novo paradigma civilizatório da sustentabilidade, vencer a corrupção e a
injustiça e reencontrar sua identidade para cumprir sua missão no cenário das
nações. Mais de cem anos depois de seu reinado, D.Pedro II segue sendo uma
fonte de inspiração para todos os brasileiros e uma lição viva de que o país
pode sonhar com um futuro de justiça, paz e prosperidade. Urge
conhecê-lo!
Fonte: Paulo Coutinho: D.
Pedro II, o imperador que amava o Brasil
A
reação da imprensa internacional com a morte de D Pedro II, exilado na frança
após ser destituído da coroa, o que pelo comentário dos periódicos não foi um
bom negócio para o Brasil, pois a imprensa no exterior foi simpática ao
monarca:
O
jornal New York Times elogiou Pedro II, considerando-o:
“O mais ilustre monarca do século” e
afirmando que “tornou o Brasil tão livre quanto uma monarquia pode ser”.
The
Herald escreveu:
“Numa
outra era, e em circunstâncias mais felizes, ele seria idolatrado e honrado por
seus súditos e teria passado a história como ‘Dom Pedro, o Bom”.
The
Tribune afirmou:
“ que seu reinado foi sereno, pacífico e
próspero”.
The
Times publicou um longo artigo:
“Até
novembro de 1889, acreditava-se que o falecido Imperador e sua consorte fossem
unanimemente adorados no Brasil, devido a seus dotes intelectuais e morais e
seu interesse afetuoso pelo bem-estar dos súditos
Quando
no Rio de Janeiro ele era constantemente visto em público; e duas vezes por
semana recebia seus súditos, bem como viajantes estrangeiros, cativando a todos
com sua cortesia”.
O
Weekly Register, por sua vez:
“Ele
mais parecia um poeta ou um sábio do que um imperador, mas se lhe tivesse sido
dada a oportunidade de concretizar seus vários projetos, sem dúvida teria feito
do Brasil um dos países mais ricos do Novo Mundo”.
O
The Globe asseverou que ele
“era
culto, ele era patriota; era gentil e indulgente; tinha todas as virtudes
privadas, bem como as públicas, e morreu no exílio”.
Joaquim
Nabuco, correspondente do Jornal do Brasil, escreveu por ocasião das exéquias
suntuosas de D. Pedro II em Paris:
"Mais
do que isso, infinitamente, D. Pedro II preferia ser enterrado entre nós, e por
certo que o tocante simbolismo de fazerem o seu corpo descansar no ataúde sobre
uma camada de terra do Brasil interpreta o seu mais ardente desejo. Mas foi sua
sorte morrer longe da Pátria. É uma consolação, para todos os brasileiros que
veneram o seu nome, ver que ele, na sua posição de banido, recebeu da gloriosa
nação francesa as supremas honras que ela pôde tributar. No dia de hoje o
coração brasileiro pulsa no peito da França."
- Um embaixador brasileiro foi comunicar que o Brasil não era mais uma Monarquia ao então presidente do Equador, este disse:
"Permita
que lhe ofereça os meus pêsames: o Brasil acabou de cometer o erro mais fatal
de sua história!"
-
Quando a Monarquia foi derrubada, o presidente da Venezuela, Rojas Paúl,
resumiu a queda do Império brasileiro em uma única frase:
"Foi-se
a única república da América!".
Em
1920, o presidente Epitácio Pessoa revogou, finalmente, o decreto republicano
que banira a família imperial do território nacional. Em 8 de janeiro do ano
seguinte, os restos mortais do imperador e da imperatriz foram trasladados para
a catedral de Petrópolis, onde se encontram atualmente.
O
sangue que deixou de correr em 1889 verteu em profusão nos dez anos seguintes,
resultado do choque entre as expectativas e a realidade da nova República, com
episódios de massacres, degolas, guerras civis, e terror.


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