A grande história do Café no Brasil.
Afonso de Taunay

O café veio para as Américas para as Antilhas e para a Guiana, e depois veio para o Brasil. O jesuíta italiano João Antônio Andreoni, descreve as bases de toda a economia brasileira, em princípio de 1700, conferindo a cana e aos engenhos a supremacia brasileira na época.

Taunay corrige Antonil:
“Houvesse Antonil vivido e escrito o seu livro cento e vinte anos mais tarde, já certamente atribuiria a primazia da cultura e opulência do Brasil à planta do café e não às das canas na lavra do açúcar nos engenhos reais moentes e correntes.”
Vivendo profundamente a história do café e a sua importância transcendental na nossa vida brasileira, diz o arguto Taunay:

“Sem o café, seria o Brasil uma Angola, ou pouco mais.”

O café veio para as Américas para as Antilhas e para a Guiana, e depois veio para o Brasil. O jesuíta italiano João Antônio Andreoni, descreve as bases de toda a economia brasileira, em princípio de 1700, conferindo a cana e aos engenhos a supremacia brasileira na época.

Taunay corrige Antonil:
“Houvesse Antonil vivido e escrito o seu livro cento e vinte anos mais tarde, já certamente atribuiria a primazia da cultura e opulência do Brasil à planta do café e não às das canas na lavra do açúcar nos engenhos reais moentes e correntes.”
Vivendo profundamente a história do café e a sua importância transcendental na nossa vida brasileira, diz o arguto Taunay:

“Sem o café, seria o Brasil uma Angola, ou pouco mais.”
E o que era esse Vale do
Paraíba que não o café? Pois que essa era e é a grande produção brasileira, do
seu rendimento dependendo o equilíbrio da Nação, no sentido econômico, social e
político. A Abolição libertou o elemento
servil; a falta de braços paralisou a lavoura cafeeira. O café derrubou o
Império, como, em 1930, a chamada República velha.
A conexão de riqueza e
instituições está bem analisada pelo Autor:
“Assim como na segunda metade do século 18 a fugacidade dos proventos do ouro trouxe o deslocamento da capital brasileira, da Bahia para o Rio de Janeiro, enriquecido pelo comércio com as Minas Gerais, a cultura cafeeira provocou o opulentamento notável do centro do Brasil em relação às demais zonas do país, a princípio na região fluminense e da Mata de Minas, depois no de São Paulo.”

O café é o sustentáculo da nossa economia. Estudando-lhe a história, estuda-se a do Brasil, que sempre dele viveu em função. Ele está em todas as fases da nossa vida, desde longo tempo. E a medida da sua importância avalia-se pela histórica frase do grande fluminense, a propósito da Abolição: - “Falo pelo Vale do Paraíba que, nesses últimos 70 anos, tem sido o sustentáculo do Império”...
“Assim como na segunda metade do século 18 a fugacidade dos proventos do ouro trouxe o deslocamento da capital brasileira, da Bahia para o Rio de Janeiro, enriquecido pelo comércio com as Minas Gerais, a cultura cafeeira provocou o opulentamento notável do centro do Brasil em relação às demais zonas do país, a princípio na região fluminense e da Mata de Minas, depois no de São Paulo.”

O café é o sustentáculo da nossa economia. Estudando-lhe a história, estuda-se a do Brasil, que sempre dele viveu em função. Ele está em todas as fases da nossa vida, desde longo tempo. E a medida da sua importância avalia-se pela histórica frase do grande fluminense, a propósito da Abolição: - “Falo pelo Vale do Paraíba que, nesses últimos 70 anos, tem sido o sustentáculo do Império”...
Ora, o quadro não difere:
- perdendo o
Estado do Rio a hegemonia cafeeira, perde a primazia para São Paulo no concerto
do Brasil. E o crescimento
do Estado do Paraná, esse novo el-dorado,
deve-se ao café.
Taunay apostrofa o verso deliliano, como ele mesmo o diz:
“Se temos câmbio, c´est toi divin café (Isso devemos ao café) !
Se o país possui o que possui, em matéria de bens e máquinas e de recursos normais: c´est toi divin café!
“Se temos câmbio, c´est toi divin café (Isso devemos ao café) !
Se o país possui o que possui, em matéria de bens e máquinas e de recursos normais: c´est toi divin café!
Se
não caímos na estagnação dos países mineradores do Pacífico, esgotados os
recursos extrativos: c´est toi divin café!
Se acabados os dias prósperos da cana de açúcar e do ouro não baixamos às condições do atraso de costa fronteira africana: c´est toi divin café!
E, com efeito, que seria do Brasil imperial sem o café? Que outro fator lhe poderia ter fornecido a potência financeira de que lhe decorreu, durante decênios, a hegemonia sul-americana?

Que seria do Brasil atual sem o café? Onde arranjar substituto de seu valor para as exigências imperiosíssimas da balança do comércio, inexorável para com os povos que, não produzindo, regridem?
Onde descobrir gênero de igual valor monetário? De tão grande apreço e tão alta capacidade aquisitiva sob tão pequeno volume?
Se acabados os dias prósperos da cana de açúcar e do ouro não baixamos às condições do atraso de costa fronteira africana: c´est toi divin café!
E, com efeito, que seria do Brasil imperial sem o café? Que outro fator lhe poderia ter fornecido a potência financeira de que lhe decorreu, durante decênios, a hegemonia sul-americana?

Que seria do Brasil atual sem o café? Onde arranjar substituto de seu valor para as exigências imperiosíssimas da balança do comércio, inexorável para com os povos que, não produzindo, regridem?
Onde descobrir gênero de igual valor monetário? De tão grande apreço e tão alta capacidade aquisitiva sob tão pequeno volume?
Ora, o gênio do
historiador está, justamente, em estudar e pesquisar os fatos realmente históricos.
Que mais históricos são os fatos que dizem respeito tão diretamente com a
formação econômica e o equilíbrio do país? Se as Bandeiras foram a descoberta, a posse, a integração; o café,
a partir da sua transplantação em 1727, tem sido o equilíbrio da nação.

fazenda de café
Que era São Paulo antes do café?”
Foi, assim a importância do fato histórico do café no Brasil que levou d´Escragnolle Taunay à notável obra.
O que teve de ler, e corrigir! Desde as primeiras notas de Monsenhor Pizarro, Aires do Casal, Silvestre Rebelo! E, logo, a verificação de que nos escritos do primeiro brasileiro que tratou do assunto – Fr. José Mariano da Conceição Veloso,
“nem uma única nota ocorre historiando a introdução da rubiácea no Brasil.”
A pesquisa de Taunay é intensa e ele se assusta com o fato de que os nossos antigos monografistas jamais teriam ouvido falar no nome do introdutor do café no Brasil – Francisco de Melo Palheta! Nem mesmo os mais notáveis, como Borges de Barros, Visconde da Pedra Branca (1813); Aires do Casal, em 1817; Monsenhor Pizarro, em 1820; José Silvestre Rebelo, em 1833; Baltazar da Silva Lisboa, em 1835; Januário da Cunha Barbosa, em 1842; e até o eminente botânico Francisco Freire Alemão, em 1856.
Taunay acentua que tais falhas e omissões decorrem da falta de pesquisa, visto que bastaria que todos tivessem lido a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e Viagem e visita em o bispado do Grão Pará, em 1762 e 1763, do bispo D. João de São José Queirós.
Diz, então, Taunay:
“Se os autores nacionais revelam tal incidência, que esperar dos estrangeiros?”
A história do Coffea Brasiliae fulcrum, que é, por longo tempo, a história brasileira na vivência das suas instituições, tem propiciado largo acervo bibliográfico da nossa civilização, tão notavelmente modificada pelo café, sobretudo na região centro-meridional. Extensos trabalhos se têm escrito sobre as consequências da chamada de braços, partindo do Vale do Paraíba e oeste paulista e, depois, do Paraná, e os reflexos desse grande mercado de trabalho no despovoamento das lavouras do norte do país.
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