Em 1819, o Brasil havia
sido elevado à categoria de Reino Unido e se tornado sede do império. Com sua
formação de cientista, influenciado pela ilustração e o conhecimento clássico,
observador atendo da realidade nacional, formulou um projeto civilizatório para
o Brasil. Porém, podemos dizer que Bonifácio nunca sonhou em ser estadista,
homem público ou algum tipo de reformador social, sonhava com a glória de um
sábio, em que descobriu minerais, ou melhor, era um homem da ciência.

Em 1821, tornou-se
presidente da Junta Provisória de São Paulo e elaborou suas "Lembranças e
Apontamentos", que se constituíam em instruções para os deputados
brasileiros seguirem perante as Cortes de Lisboa.
Após a emancipação,
continuou ativo na política: foi Ministro de D. Pedro I e deputado na
Assembleia Constituinte de 1823, onde publicitou suas ideias. Para construir uma nação “compacta e homogênea” com
desenvolvimento econômico segundo os padrões modernos, era preciso acabar com
as tensões e conflitos internos, através de um plano civilizador, organizado em reformas que o governo na forma de
monarquia constitucional em torno de um parlamento careceria de fazer. E para
existir essa nação era preciso civilizar o seu povo, visando a prosperidade
futura do império de tal modo, levanta algumas ideias, baseadas nos seus
estudos e experiências desenvolvidas ao longo de sua vida. (
Bonifácio foi um verdadeiro republicano, que tinha os interesses da Nação acima
de seus ideais políticos, acima até mesmo de sua devoção a Coroa portuguesa. È
mister olharmos para esse patriota e aprender a não defender partidos ou posições
políticas acima da pátria. Hoje em dia temos visto pessoas defendendo partidos,
filosofias, bandeiras que ficaram para eles maiores que o Brasil e isso está
longe de ser república e muito menos democracia. )

O
PLANO DE AÇÃO DE JOSÉ BONIFÁCIO
1-Primeiramente
propõe a abolição do tráfico negreiro e progressivamente a emancipação dos
cativos escravos. Ele
desejava que os brasileiros vivessem bem entre si e se olhassem como irmãos e
concidadãos”.
Deixo claro
que Bonifácio enfatiza que a escravidão não pode ser abolida de maneira
repentina tal acontecimento traria grandes males. Segundo José Bonifácio
continuando com a escravidão boa parte da população jazerá
sobre os interesses de grandes proprietários de terras, visto como o
monopólio das capacidades legislativas ficavam comprometidas a coerção, uma vez
que o senhor legislava sobre a vida dos cativos e juridicamente sem restrições.
E mais, a escravidão era nociva à diligência
e à atividade criadora, induzia ao ócio os brasileiros, tornando-o desonroso
até para um homem livre: “ ( o
mesmo fato acontece hoje, onde vemos no nordeste, no norte do Brasil e em todas as cidades com
baixo IDH, uma outra escravidão, a escravidão política, onde os partidos de
esquerda levam cativos as opiniões de um povo em troca da “ bolsa-família “ e
outros assistencialismos e o povo que é vítima desses políticos egoístas, também
se tornam lentos e maculados em sua honra, por serem mantidos vivos por uma
esmola estatal”
No tocante a
civilização dos índios bravos do Brasil, Bonifácio argumentava as qualidades
necessárias para a ingressão do elemento indígena no mundo civilizado. O que
fizemos foi enche-los de nossos vícios sem dar-lhes nossas virtudes. “mudadas
as circunstâncias mudam se os costumes”. O caminho a ser seguido era a criação
por meio do governo, de aldeamento onde eles estariam sujeitos a lei e a
religião, sendo educados e civilizados, usando o instrumento certo, no caso a
educação.
Bonifácio via na educação o mais poderoso
instrumento de desenvolvimento humano, o caminho para conduzir, não apenas os
índios, mas o conjunto da população brasileira rumo ao mundo moderno. Portanto,
educar os índios poderia ser um caminho para educar também os brancos. ( Bem diferente da
idéia da Funai moderna, que pretende isolar os índios, renegando-lhes o direito
de serem civilizados brasileiros)
Bonifácio estimulava a imigração
europeia, já que
esses futuros colonos trariam consigo suas respectivas culturas, hábitos e
costumes. Em carta a Tomas Antônio de Villanova Portugal, de maio de 1820,
explicitava a importância de trazer colonos alemães, uma vez que “estas
colônias são de sumo interesse para o Brasil, porque lhe trazem uma mistura de
sangue, e dão exemplo vivo da maior atividade e moralidade, de que tanto
precisamos”.
José Bonifácio tinha ideias para uma
espécie de “reforma agrária” no país. Era preciso dividir os latifúndios e incentivar a Pequena e
média propriedade. Caminho seguro para a produtividade agrícola, mas também
para a penetração do Estado no interior da nação. A pequena lavoura também era, assim,
condição para a integração do negro liberto à sociedade, sem a qual a abolição
da escravatura não cumpriria seus objetivos. Nenhum bem resultaria para a nação
se os negros fossem simplesmente abandonados à própria sorte.

Propunha
no "Art. X Todos os homens de cor forros, que não tiverem ofício, ou modo
certo na vida, receberão do estado uma pequena sesmaria de terra para
cultivarem...”
(Essa mesma ideia pode ser
aplicada com as famílias de baixa renda, principalmente do Nordeste do Brasil;
Um projeto de uma mini reforma agrária, onde as famílias poderiam ter pequenos
pedaços de terra que seriam financiados pelo governo nos primeiros anos até que
eles se sustentassem por conta própria, eliminando aos poucos o
assistencialismo e devolvendo aos arrimos da família, a dignidade de serem provedores de seus lares )
Enfim, por
meio de brigas e intrigas com ditos-cujos que eram contrarias ao seu projeto de
Brasil acaba preso e exilado para a França ainda em 1823
Como se vê,
mesmo uma breve investigação da trajetória de José Bonifácio, e uma análise
superficial de suas ideias, revelam um pensador de espírito inquieto, reflexivo
e de incontestável capacidade crítica, preocupado com o desenvolvimento do
Estado. Como já afirmaram alguns historiadores, o conjunto de seus escritos se
constitui num verdadeiro projeto de Nação, dedicado em transformar o Brasil
numa sociedade moderna.
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