Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro citou Ysani Kalapalo como a representante dos povos indígenas brasileiros a ser ouvida pela comunidade internacional. Em carta lida durante sua fala, que, de acordo com o presidente, teria o aval de 52 povos indígenas, Bolsonaro mencionou que “Ysani goza de confiança e prestígio das lideranças indígenas interessadas em desenvolvimento, empoderamento e protagonismo, estando apta a representar as etnias relacionadas [na carta]”. Ysani, entretanto, não é reconhecida pelos povos tradicionais dessa forma.
Mas, afinal, quem é Ysani?
Ysani Kalapalo é uma indígena natural do Alto Xingu, que se descreve como “de direita”. Em 2013, ela chegou a discursar para parlamentares ao lado do deputado Jean Wyllys, falando de forma contundente contra a homofobia e os movimentos religiosos que tentavam impor aos indígenas suas visões. Este ano, porém, Ysani integra a comitiva do presidente Jair Bolsonaro para defender na Assembleia Geral da ONU a política ambiental e indígena do governo. Os argumentos dela vão ao encontro da mensagem que a gestão de Bolsonaro tenta difundir pelo Brasil e pelo mundo, após uma série de queimadas na Amazônia que repercutiram negativamente.
“Existe muito fake news dizendo sobre as queimadas. Estão dizendo que é culpa do governo Bolsonaro, que ele entrou e está queimando todo o Xingu. Não existe isso daí. A nossa cultura é fazer roça pra plantar mandioca e pra plantar outras coisas. Isso faz parte da nossa cultura, não é porque entrou um novo governo e ele tá queimando tudo. Nessa época de ano, essa época quente, sempre houve queimadas pra queimar roça. Isso faz parte, é normal. Isso é tudo exagero que a mídia está fazendo, não é culpa do governo”, afirma Ysani, em um vídeo de dois minutos e meio postado há dois dias na página do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
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